Madrugadas de rock no Pijama Show

 A icônica frase de Christiane Torloni dita em entrevista ao Multishow no Rock in Rio de 2011 cabe bem no dia de hoje: “É dia de Rock, bebê”. E para os amantes de uma boa música, o 13 de julho é o momento de revisitar os clássicos e vestir a camiseta da banda preferida. É dia de cantar junto, mesmo fora do tom e lembrar que a rebeldia também pode ser poética e que o romantismo também pode vir disfarçado em solos de guitarras. 



    


Quem, assim como eu, passou a dura fase da adolescência ouvindo Cazuza, Legião Urbana, Rita Lee e tantos outros, sabe do que eu estou falando. Entender os próprios sentimentos a partir da letra de uma canção, encontrar numa melodia o suporte para uma dor em um tempo que pouco se falava em terapia, conectar-se com outras pessoas a partir de um som, de um programa de rádio.
Quem gosta de rock, tem a minha idade, e é gaúcho, certamente já deve ter escutado um programa chamado Pijama Show na Rádio Atlântida. Eu diria que esse programa poderia ser considerado a rede social de uma época em que a internet ainda não havia se popularizado. Na companhia do radialista Éverton Cunha, mais conhecido como Mister Pi, eu e mais um grande número de jovens, virávamos as noites com o ouvido ao pé do rádio, ouvindo muita música boa e entrevistas com convidados especiais que visitavam os estúdios da Rádio Atlântida altas horas da noite (e lembrem: naquele tempo o remoto só existia por meio de ligações telefônicas).
Havia também o Pijama Sujo, um quadro em que o apresentador ligava para alguém indicado por um ouvinte. Era divertido perceber a surpresa de pessoas que saiam da sua cama para atender o telefone ao se darem conta de que estavam no ar. À meia-noite, vinha o momento mais aguardado: o Pijama Místico. Mister Pi lia um texto reflexivo. Eu lembro que gravava essa parte do programa em fita cassete e no dia seguinte transcrevia tudo à mão em um caderno.
Mas, retornando ao rock, foi nessa fase da vida — quando eu ouvia o Pijama Show todas as noites — que me apaixonei ainda mais por esse gênero musical. Conheci bandas que eu nem imaginava existir. Ouvi muito rock gaúcho nas vozes marcantes dos vocalistas do Nenhum de Nós, TNT, Engenheiros do Havaí. Recebi, com pesar, a notícia da morte do baterista da banda Cidadão Quem, vítima de um acidente de paraquedas.
Enfim, o Pijama Show, assim como o rock, me revelou um lado da vida até então desconhecido — feito de intensidade, poesia, dor e descoberta. Por isso, quando ouço “É dia de rock, bebê”, não escuto apenas uma frase divertida: escuto um pedaço da minha história. E toda vez que encontro alguém que também passava as madrugadas sintonizado na Rádio Atlântida, enquanto fingia dormir no quarto escuro, tenho a certeza de que, mesmo sem saber, eu nunca estive sozinha.


Comentários

  1. Que tempo bom na qual a "rede social" era ouvir o Pijama Show. Estar sintonizados na rádio Atlântida era o assunto no dia seguinte na escola. Ficar acordada e gravar a mensagem do pijama místico, para depois transcrever, era o que eu fazia de mais rebelde na minha adolescência. Hábito que iniciou na infância, por inspiração de uma irmã mais velha, rsrs. Ah, que nostalgia dessa época, que minha unica preocupação eta cuidar os horários da programação da Atlântida.

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